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CFA: Cansei! Quando chega a hora de mudar a rota da vida profissional

Estava tudo indo bem na vida profissional da jornalista Marina Simpson. Ainda na faculdade, ela começou a atuar na área. Após formada, foi contratada pela empresa e dava-se início a uma longa e bonita trajetória em emissoras de televisão: TV Educativa, TV Band e TV Globo. Nesta última, ela ficou quase uma década. Foi assistente de produção, produtora, repórter e editora.

Na Globo News, Marina cobria pautas políticas e o hard news, termo usado no mundo jornalístico para designar o relato objetivo de fatos e acontecimentos relevantes para a vida da sociedade.

“Era uma vida muito corrida e desafiadora, com jornais no ar o tempo inteiro”, lembra.

Marina conta que foram anos felizes. Contudo, em determinado momento, ela percebeu que já não estava tão feliz e satisfeita com o trabalho que desempenhava. Próximo dos 35 anos de idade, ela não encontrava motivo para ir trabalhar a não ser pelo salário. “Eu não estava satisfeita em bater ponto, fazer a mesma coisa. Meus olhos já não brilhavam mais”, conta a jornalista.

Marina com os alunos do programa MoveMENTE-se.Todos esses sentimentos inquietaram Marina, mas também foram fundamentais para ela criar coragem e mudar de carreira. E ela não é a única. Assim como a jornalista, muitos profissionais estão repensando a carreira e decidindo mudar a rota de suas vidas. Para se ter ideia, um estudo feito pelo LinkedIn em dezembro do ano passado revelou que 49% dos brasileiros estão considerando mudar de emprego em 2022.

Entre os jovens entre 16 e 24 anos, esse desejo é ainda maior, 61%. A pesquisa entrevistou mais de mil pessoas e mostrou, ainda, os motivos que estão levando os profissionais a considerarem mudar de carreira: busca por melhores salários e o desejo por um maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

 

Muita calma nessa hora

A jornalista e coach de comunicação pessoal,
Marina Simpson

Marina explica que tinha muita vontade de mudar, mas não sabia por onde começar. Angustiada, ela chegou a ir chorando para o trabalho e quase pediu demissão. Um colega, então, falou sobre um curso de desenvolvimento pessoal. Ela se matriculou na capacitação, que durou um fim de semana. O pouco tempo, no entanto, impactou a vida da jornalista. “Ele trouxe para mim o conceito de auto responsabilidade e eu percebi que eu estava acomodada, reclamando do que estava vivendo mas sem agir para mudar aquela situação. Entendi, então, que eu que tinha que mudar”, relata.

A partir de então, Marina começou a estudar e aprofundar mais sobre o tema. Além do curso de desenvolvimento pessoal, ela estudou programação neurolinguística, fez curso de coach, hipnose e análise de perfil comportamental, media training, entre outros.

“Eu percebi que queria mesmo sair do contexto de jornalismo, do hard news. Eu me formei nessas especializações e comecei a atender pessoas”, fala.

Assim como Marina, especialistas recomendam cautela na hora de mudar de área profissional. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Norte (CRA-RN), Adm. Flávio Emílio Monteiro Cavalcanti, o conselho é: “não se precipite”. Antes de traçar novos rumos na carreira, é imprescindível, segundo ele, avaliar o tempo dedicado ao trabalho e à vida pessoal. Outra dica é reavaliar periodicamente se o projeto do qual faz parte tem boas perspectivas e, só então, decidir por novos rumos profissionais.

Em tempos de pandemia, essa cautela deve ser ainda maior.

“É importante avaliar cuidadosamente os benefícios e riscos de uma eventual mudança. O grau de incerteza em relação aos rumos da economia ainda é grande. Mas novas oportunidades surgem e podem ser criadas desde já. Havendo chances reais de sucesso num novo projeto de transição de carreira, não vejo motivo para recuar e procrastinar”, orienta o administrador.

Por fim, Marina alerta: toda essa caminhada rumo à transição de carreira é feita de altos e baixos. Ela saiu do jornalismo televisivo aos 35 anos e, nesses cinco anos como coach de comunicação pessoal, ela diz que não foi um mar de rosas. “A gente precisa ser organizado, ter uma vida financeira organizada, ter projetos. Se eu pudesse dar um conselho para alguém, seria: faça isso com muita cautela. Não se jogue em um mundo desconhecido sem se preparar, sem entender que você é um adulto e precisa se sustentar”, aconselha.

Quer saber mais sobre o assunto? Reveja esta palestra do CFAPlay sobre transição de carreira proferida pela empresária e especialista em Gestão Pública, Marcela Freitas.

 

 

FONTE: Ana Graciele Gonçalves, Assessoria de Comunicação CFA