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Conheça mais sobre macrotendências para os próximos anos

Você já ouviu falar em cybertopia, altermundo ou pluridiverso? Para muitas pessoas as palavras podem parecer confusas. Mas são bem atuais para quem é ligado em tecnologia, inovação e está por dentro das macrotendências para os anos de 2022 e 2023.

Para se ter ideia do crescimento do setor, o levantamento “Profissões Emergentes na Era Digital”, publicado em 2021, mostrou que nos próximos dois anos, 11,7 milhões de empregos podem ser gerados graças ao uso da tecnologia e da digitalização nas áreas mais diversas, que vão desde a indústria de transformação e serviços produtivos, passando pela agricultura, tecnologia da informação e saúde.

  • Cybertopia

O termo significa basicamente um mundo real cada vez mais conectado ao digital, totalmente descentralizado, e acelerado pela pandemia. A expectativa é que a prática tenha um grande impacto no mundo corporativo.

De acordo com o relatório divulgado pelo Lab de Tendências da Firjan, a cybertopia aponta para o uso da tecnologia na construção de um mundo do trabalho corporativo cada vez mais descentralizado, para que as pessoas tenham mais e mais autonomia. Tanto é verdade que, quando se fala em contratações à distância, houve um aumento de quase 88% em 2020, de acordo com dados da Único. Em janeiro de 2021, a pesquisa identificou 16.650 novas contratações: ou seja: 58% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

Em outro estudo feito pela International Data Corporation, um provedor global de inteligência de mercado, 25% das empresas brasileiras já apresentam projetos baseados em inteligência artificial ou aprendizado de máquina. A maioria está em fase de adaptação ou implementação. Segundo o relatório, citado pela KPMG, organização global de firmas independentes que atuam nas áreas de auditoria, taxas e consultoria, a estimativa é que esse mercado movimente 34 bilhões de dólares até 2025, no mundo todo.

A coordenadora do Lab de Tendências da Casa Firjan, Ana Carolina Fernandes, destaca que a Cybertopia fala muito sobre o uso da tecnologia em favor da construção de um mundo descentralizado e autônomo, com barreiras cada vez menores entre real e digital, além de um crescimento muito grande da economia simbólica. Ela acredita que essas mudanças estão moldando o surgimento de novas carreiras, que transitam entre o real e o digital. 

“carreiras que vão proporcionar construir esse mundo. Então, a agente começa a ver uma demanda por gestores de trabalho remoto, por arquitetos de metaverso. Uma série de carreiras que vão ser fundamentais na construção desse universo de Cybertopia”

  • Altermundo

Essa macrotendência aponta para o uso da tecnologia na manutenção de um mundo habitável. Aqui entram a transparência máxima das empresas, a busca pela redução dos impactos ambientais e o crescimento de uma economia verde. Com mudanças tão rápidas e drásticas, desde o início da pandemia, é preciso agilidade na hora de decidir, considerando todos os dados disponíveis. Com isso, surgem sistemas que se adaptam e se reorganizam a partir de cada contexto. Áreas como alimentação, construção civil, indústria e transporte: todas buscam maior eficiência em situações de escassez de matérias-primas, desabastecimento e crises climáticas. 

O estudo global da Deloitte, sobre organizações resilientes, que entrevistou executivos de 21 países, destacou que os brasileiros se sentem mais preparados e confiantes que a média global. 56% deles acham que estão prontos para liderar as organizações diante de qualquer incerteza ou interrupção que possa surgir. Enquanto 49% consideram que as empresas conseguiriam se adaptar rapidamente em resposta a eventos adversos.

Uma das palavras mais fortes dentro da macrotendência Altermundo é o legado. Muito se pergunta o que será deixado às futuras gerações? Na opinião da conselheira federal do Conselho Federal de Administração, Claudia Stadlober, deixar um legado é saber bem administrar os recursos, tanto reais como digitais, existentes hoje. Para a conselheira federal, esse foco no amanhã é essencial, em todas as esferas, para alcançar e manter a sustentabilidade.

“Nós enquanto administradores, enquanto gestores nas organizações a gente tem que estar preocupados com isso, a gente tem que estar organizando isso tendo políticas que apresentem a transparência na nossa organização, a seriedade com que ela atua e o contexto de sustentabilidade e continuidade da organização, do planeta, do meio ambiente, da comunidade e da sociedade como um todo”.

  • Pluridiverso

Esse conceito vai muito além do compromisso de estar em um espaço físico, num determinado período, fazendo uma certa atividade. Atualmente, todas as possibilidades associadas ao mundo do trabalho têm sido remodeladas. Temos novas demandas sobre direitos e deveres dos trabalhadores. Isso sem falar nas demandas das empresas, que estão sendo rediscutidas. 

Vamos aos exemplos. Para o diretor de Operações das Américas da SWM Brasil, Antônio Carlos Vilela, a pandemia afetou o comportamento das pessoas, em todas as esferas, e não há mais como retroceder. Ele afirma que o home office, por exemplo, veio para ficar. Vilela, que também é vice-presidente da Firjan Sul Fluminense, acredita que tudo vem mudando muito rápido: tanto as relações de consumo, como o perfil de trabalhadores, acionistas e stakeholders, público estratégico ou grupo de interesse impactado por determinada organização. Segundo Vilela, toda a sociedade precisa estar aberta para as transformações.

“As pessoas precisam estar antenadas, elas tem que estar abertas a perceber um mundo novo e através dessa percepção do mundo novo se reposicionar como pessoa, se reposionar como empresa, se reposionar em tudo. As pessoas que estão antenadas e que estão informadas, estão acompanhando essas macrotendências são pessoas capazes de ajustar o passo e o caminho de uma organização em direção ao futuro com mais chance de sucesso”.   

O relatório das Macrotendencias para 2022 e 2023 aponta que, daqui para a frente, a abertura para relações de trabalho mais híbridas é um caminho sem volta para as organizações. Com uma força de trabalho cada vez mais plural e diferentes níveis de acesso e possibilidades, o mercado de trabalho passa por uma grande remodelação.

O tema foi destaque em uma série de reportagens especiais da Rádio ADM. Todo o conteúdo está disponível no site www.radioadm.org.br. 

FONTE: Rodrigo Miranda, Assessoria de Comunicação CFA e Mirian Lucena, Repórter Rádio ADM