A implementação da Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01) vai além do cumprimento de exigências legais e da produção de documentos formais. A necessidade de transformar o gerenciamento de riscos psicossociais em uma prática contínua, integrada à gestão organizacional, foi um dos principais pontos discutidos durante a imersão “NR-01 na prática — desafios, avanços e responsabilidades após a implementação”, promovida pelo CRA-ES.
Realizado nesta quinta-feira (3), no Makers Coworking, o encontro reuniu profissionais, gestores e especialistas para debater a aplicação prática da norma e os impactos do tema sobre a saúde organizacional, produtividade e sustentabilidade das empresas. A iniciativa foi executada pela Câmara Temática de Recursos Humanos do CRA-ES e pelo CRA Educacional.
Ao longo do encontro, os participantes destacaram que a discussão sobre a NR-01 está diretamente ligada à gestão de pessoas e ao papel estratégico das organizações na identificação e acompanhamento de fatores que afetam a saúde mental no ambiente corporativo.
Para a CEO do Grupo JOBZ, Luciana Roberty, o envolvimento das lideranças e do setor de Recursos Humanos é determinante para que os riscos psicossociais sejam identificados e tratados de forma efetiva. “Quando o RH tem uma atuação direta na empresa, tem encontro com a liderança e desenvolve ações a partir de pesquisas de clima, é possível identificar, tratar e acompanhar riscos psicossociais. A NR é sobre pessoas, é sobre gente. A empresa tem a responsabilidade de gerenciar os riscos psicossociais dentro das empresas”, destacou.
A relação entre saúde mental e desempenho organizacional também foi abordada durante a programação. O coordenador da Câmara Temática de Recursos Humanos do CRA-ES e mediador do encontro, Adm. Kleber Alves, chamou atenção para os impactos que o aumento de afastamentos pode gerar no ambiente empresarial. “Enquanto profissionais da Administração, temos que orientar o dono da empresa e a liderança sobre as medidas que precisam ser adotadas. O aumento dos afastamentos afeta a produtividade e precisamos fazer a gestão desse cenário. O papel do Responsável Técnico dentro da empresa emerge nesse contexto”, afirmou.
A diretora executiva da ARJUR Advocacia e do Instituto de Compliance do Espírito Santo, Aretusa Araújo, reforçou que a conformidade legal depende da efetiva implementação das ações previstas pela norma e não apenas da elaboração documental. “Sem um administrador para organizar e fazer a governança, os documentos ficam soltos e não há como comprovar isso perante o Judiciário. A gestão é fundamental. Não basta elaborar documentos; é preciso demonstrar que houve implantação, mapeamento de riscos e participação efetiva dos colaboradores”, explicou.
A necessidade de acompanhamento contínuo dos trabalhadores também foi apontada como fator essencial para evitar impactos sobre a saúde e passivos trabalhistas. O diretor da Provider, Carlos Cesar Saad, destacou que o gerenciamento dos riscos precisa fazer parte da rotina das empresas. “Ao tentar entender o aumento dos atestados, fomos a fundo para identificar as causas. Se não houver acompanhamento do RH e de profissionais especializados para entender a origem do problema, a empresa pode enfrentar dificuldades trabalhistas. Não existe outro caminho. Sem gerenciamento, o colaborador pode ser levado a uma fadiga mental”, pontuou.
Durante a imersão, os especialistas reforçaram que a atualização da NR-01 amplia a necessidade de uma atuação preventiva, integrada e baseada em evidências, exigindo das organizações não apenas adequação normativa, mas também uma cultura de gestão voltada para o cuidado com as pessoas e a sustentabilidade dos ambientes de trabalho.
Jornalista Márcia Menezes | Assessora de comunicação
