Durval Jacintho destacou que empresas precisam definir o problema antes de escolher a tecnologia
A inteligência artificial entrou rapidamente na agenda das empresas, mas a adoção da tecnologia nem sempre foi acompanhada de uma estratégia clara. Esse foi um dos pontos centrais da palestra “Governança e Decisão Estratégica”, apresentada por Durval Jacintho, especialista em governança de IA e Conselheiro Certificado IBGC, durante o II Fórum Capixaba de Administração.
Mediada pelo Adm. Gabriel Feitosa, a palestra discutiu como as organizações podem tomar decisões mais estratégicas diante da expansão das ferramentas de inteligência artificial, especialmente após a popularização do ChatGPT, em 2022.
Segundo Durval, empresas que estão começando a utilizar IA ou que pretendem ampliar seu uso precisam considerar três dimensões antes de tomar uma decisão: o ambiente externo e a forma como o setor e os concorrentes utilizam a tecnologia; a maturidade da própria organização, incluindo cultura e preparo; e a estratégia global para a adoção da solução.
Para o especialista, esse processo começa antes da escolha da ferramenta. A empresa precisa primeiro identificar qual problema pretende resolver com a inteligência artificial.
IA precisa gerar valor
Outro ponto destacado foi a relação entre tecnologia e retorno para a organização. Para Durval, a liderança precisa identificar onde a IA pode gerar valor, já que todo investimento deve estar associado a um resultado esperado.
Durante a palestra, o especialista afirmou que 70% das empresas brasileiras acreditam que terão retorno com investimentos em IA, enquanto apenas 20% efetivamente obtêm esse retorno.
Nesse cenário, a decisão sobre onde e como aplicar a tecnologia passa a ser determinante. A simples adoção de ferramentas de IA não garante ganhos para a organização. O resultado depende da forma como a tecnologia é incorporada à estratégia e aos processos. “O desafio primeiro da liderança é definir onde irá aplicar o uso da IA”, destacou Durval.
Entre as aplicações mais acessíveis estão as tarefas repetitivas, que podem ser automatizadas com menor intervenção humana. A partir dessa identificação, cabe à gestão avaliar onde a tecnologia pode liberar tempo, reduzir esforços e contribuir para resultados mais relevantes.
A discussão reforçou uma questão central para a Administração na era da inteligência ampliada: a tecnologia não substitui a estratégia. Cabe aos profissionais compreender o contexto, identificar problemas, avaliar riscos e definir onde os recursos tecnológicos podem efetivamente gerar valor.
A palestra integrou a programação do II Fórum Capixaba de Administração, realizado pelo CRA-ES com o tema “Administração na era da inteligência ampliada: pessoas, dados, decisão”, reunindo especialistas para discutir os impactos da tecnologia, da inovação e das novas formas de gestão sobre as organizações e os profissionais da Administração.
Jornalista Márcia Menezes | Assessora de comunicação
