Sexta-feira, 15h! Júlio César, gerente administrativo de uma construtora capixaba, recebe a ligação do seu diretor financeiro. A solicitação: alterar algumas datas em documentos de um processo licitatório para “corrigir um erro de cronograma”. Júlio conhece os documentos e sabe que os prazos registrados são reais. Sabe que não há erro algum. A “correção” solicitada não é, na verdade, uma manipulação. Se ele aceitar, compromete sua integridade profissional e infringe o Código de Ética da sua profissão. O que você faria?
O pedido feito para Júlio César viola diretamente o artigo 3º do Código de Ética dos Profissionais de Administração: o inciso XV caracteriza como infração “praticar ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la“; o inciso XVI proíbe “usar de artifícios enganosos para obter vantagem indevida“; e o inciso XVII veda “prestar, de má-fé, ato profissional que possa resultar em dano a pessoas ou organizações“.
Se Júlio ceder à pressão, “o Código prevê suspensão do exercício profissional de um a cinco anos nos casos mais graves“, explica o presidente do CRA-ES, Admº Flávio Celso Santos Rosa. Segundo ele, “conforme o artigo 14, as sanções constam permanentemente no registro do profissional. Qualquer empregador que consultar o registro no CRA verá a punição.”
O que o Código orienta ser feito?
A conduta ética correta é recusar formalmente o pedido, documentando por escrito que a alteração configura fraude e viola o Código de Ética. “O artigo 4º garante ao profissional o direito de recusar-se a exercer a profissão em instituição onde as condições sejam degradantes. Ser forçado a cometer fraudes é, sem dúvida, uma condição degradante“, destaca o presidente.
A reputação profissional é construída ao longo de décadas, mas pode ser destruída por uma única decisão antiética. O presidente do CRA-ES esclarece que, “o Código de Ética existe para proteger o profissional quando alguém tenta coagi-lo a fazer algo errado. Quem está em dúvida sobre a conduta adequada, pode procurar o Conselho para obter a orientação mais adequada“.
Jornalista Márcia Menezes | Assessora de comunicação
