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Estágio sem supervisão cresce e fragiliza formação profissional

O avanço do “estágio sem supervisão” ganha espaço no Brasil. Embora formalmente inseridos em programas de aprendizagem, os estudantes são direcionados a atividades repetitivas e desconectadas de seus cursos, além de não receberem feedback estruturado, segundo dados da Central Estágio, em uma análise sobre tendências para 2026. A situação contrasta diretamente com a Lei nº 11.788/2008, que estabelece o estágio como um ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido com o objetivo de preparar o estudante para o trabalho produtivo.

Na prática, o cenário descrito pela pesquisa evidencia uma distorção crescente no papel do estágio dentro das organizações. Em vez de funcionar como espaço estruturado de aprendizagem, com orientação técnica e acompanhamento contínuo, muitos programas acabam reduzidos a atividades operacionais, com baixa conexão com a formação acadêmica. A ausência de supervisão qualificada compromete não apenas o desenvolvimento do estudante, mas também a efetividade do próprio programa de estágio.

Na área da Administração, a preocupação se intensifica. Por se tratar de uma profissão regulamentada, que envolve planejamento, tomada de decisão e gestão de recursos, a atuação de estagiários requer acompanhamento direto de um profissional habilitado e registrado no Conselho Regional de Administração do Espírito Santo (CRA-ES). “Essa supervisão não apenas assegura a qualidade do aprendizado, mas também protege as organizações, ao garantir que práticas e processos estejam alinhados a normas técnicas e princípios éticos da profissão”, explicou o vice-presidente da autarquia, Admº Erthelvio Nunes.

Ainda de acordo com o vice-presidente, quando o estágio se distancia de sua finalidade educativa e passa a reproduzir atividades típicas de um vínculo empregatício, aumentam os riscos de questionamentos trabalhistas e de passivos decorrentes do descumprimento da legislação. Também se perde a oportunidade de formar talentos alinhados à cultura organizacional e às boas práticas de gestão, transmitindo ao estudante uma visão distorcida sobre o papel das empresas na qualificação profissional.

A supervisão efetiva é um dos principais fatores para a formação de profissionais mais preparados e conscientes de suas responsabilidades. Sem esse acompanhamento, o estágio deixa de cumprir seu papel estratégico e passa a representar um risco tanto para o estudante quanto para as instituições envolvidas.

Diante desse contexto, cresce a necessidade de revisão dos programas de estágio no país, com foco na conformidade legal e, sobretudo, na qualidade da formação oferecida. Mais do que atender a uma exigência normativa, garantir supervisão adequada é investir na construção de profissionais mais qualificados e na sustentabilidade das próprias organizações.

Jornalista Márcia Menezes | Assessora de comunicação