Um dia inesquecível de conteúdo, provocações e troca de conhecimento. Assim pode ser resumido o II Fórum Capixaba de Administração do CRA-ES, realizado na última quinta-feira (17), em Vitória. Ao longo da programação, especialistas e lideranças colocaram em debate questões que já fazem parte da rotina das organizações e outras que começam a definir o futuro da profissão.
Na abertura, o palestrante Arthur Igreja provocou o público com a pergunta: “Agora tudo é IA?”. A discussão passou pelo impacto da inteligência artificial sobre a produtividade, pelas novas competências profissionais e pelo risco de transferir para a tecnologia não apenas tarefas, mas também a capacidade de pensar e aprender.
O debate avançou para o papel das pessoas. Na palestra sobre liderança human-centric, a Dra. Érica Belon mostrou que colocar o profissional no centro da gestão não significa abrir mão de resultados. Competência, recrutamento adequado, liderança e desenvolvimento foram apresentados como elementos diretamente relacionados à performance das organizações.
A estratégia também esteve no centro do painel de Durval Jacintho. Para o especialista, antes de escolher uma ferramenta de inteligência artificial, a empresa precisa definir qual problema pretende resolver e onde a tecnologia pode efetivamente gerar valor. A mensagem reforçou que inovação sem estratégia pode se transformar apenas em adoção de tecnologia por modismo.
O Fórum também ampliou o olhar para o Espírito Santo. No painel sobre ESG, logística e desenvolvimento capixaba, representantes do setor produtivo discutiram infraestrutura, turismo, inovação, educação e planejamento, e a necessidade de transformar o potencial do Estado em projetos, ações e resultados.
A decisão continua humana
O encerramento reuniu os Adm. Idalberto Chiavenato e Adm. Lucas Chiavenato para discutir “Administração, Pessoas e Decisão na Era da Inteligência Ampliada”. A partir da pergunta “Como organizar o esforço humano e os recursos para alcançar os objetivos?”, os dois mostraram que a Administração muda conforme as ferramentas e os contextos, mas mantém sua essência.
A tecnologia amplia a capacidade de análise, mas não elimina o julgamento humano. A metodologia Pessoas, Cultura e Tecnologia (PCT) foi apresentada como uma forma de integrar esses três elementos e utilizar a inteligência artificial com método e responsabilidade.
Para o presidente do CRA-ES, Adm. Flávio Celso Santos Rosa, a diversidade dos debates foi um dos grandes resultados do encontro. “O Fórum mostrou que não existe uma única resposta para os desafios da Administração. Temos tecnologia, dados, pessoas, desenvolvimento e inovação acontecendo ao mesmo tempo, e cabe ao administrador conectar tudo isso para tomar decisões melhores e gerar resultados.”
O grandioso encontro potencializou as ações do CRA-ES em comemoração aos 61 anos da regulamentação da profissão de Administração e deixou uma provocação que atravessou toda a programação: em uma realidade cada vez mais tecnológica, administrar continua sendo, sobretudo, saber decidir.
Jornalista Márcia Menezes | Assessora de comunicação
