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Érica Belon defende liderança humanizada sem abrir mão de resultados

Neurocientista destacou o papel estratégico do administrador e chamou atenção para a importância de contratar e desenvolver pessoas de acordo com as necessidades das organizações

“Ter o homem no centro não significa trocar performance por bem-estar.” A afirmação da Dra. Érica Belon, PhD em Administração e neurocientista, marcou a palestra “Liderança Human-Centric, Saúde e Produtividade”, realizada nesta quinta-feira (17), durante o II Fórum Capixaba de Administração.

Mediada pela Adm.ª Valéria Aquino, a palestra discutiu a relação entre pessoas, liderança e resultados e trouxe uma provocação para profissionais e gestores: uma gestão humanizada não significa abrir mão da performance. Para Érica, o profissional precisa estar no centro das decisões, mas também precisa estar preparado para contribuir efetivamente com os resultados da organização.

Nesse contexto, a especialista destacou a importância da competência. “O que tira seu negócio do buraco é competência”, afirmou, relacionando o desempenho das equipes às decisões tomadas ainda no processo de contratação. Para ela, um dos principais desafios das organizações está justamente em contratar as pessoas certas para os problemas que precisam ser resolvidos. Um processo adequado de recrutamento e seleção deve considerar não apenas conhecimentos técnicos, mas também o modelo mental e o perfil comportamental do profissional. “Contratamos errado e queremos mandar para capacitação para resolver o problema”, provocou.

O papel do administrador

Ao longo da palestra, Érica também chamou atenção para a necessidade de os profissionais da Administração compreenderem o próprio valor no mercado de trabalho. Segundo a especialista, o profissional da administração tem como uma de suas principais funções transformar recursos em resultados, utilizando uma visão sistêmica e ampla da organização.

Para ela, quando o profissional perde essa capacidade de compreender o todo e de identificar problemas que pode solucionar, abre espaço para outras profissões que se prepararam para ocupar essas funções. “O diploma sozinho não garante seu espaço no mercado. Não vai. Precisamos nos preparar”, destacou.

Pessoas, comportamento e resultado

Outro ponto abordado foi o impacto dos modelos mentais nas relações profissionais. Érica explicou que a forma como cada pessoa interpreta o mundo influencia seu comportamento e, consequentemente, sua atuação dentro das organizações.

Ela apresentou quatro perfis comportamentais: executor, mais orientado a resultados; comunicador, voltado para relacionamentos; planejador, associado à colaboração e estabilidade; e analítico, com foco em precisão e perfeição.

Para a especialista, compreender essas características pode contribuir para decisões mais adequadas de recrutamento, composição de equipes e desenvolvimento profissional. A relação entre pessoas também foi apontada como fator diretamente ligado à produtividade. “As pessoas produzem mais quando se relacionam melhor”, afirmou.

Érica ressaltou ainda que profissionais que chegam a posições de liderança muitas vezes possuem domínio técnico, mas não foram preparados para exercer a função de liderar. Por isso, a capacitação precisa acompanhar as mudanças de responsabilidade ao longo da carreira.

Gestão baseada em dados

Ao defender uma liderança humanizada, a especialista também fez questão de afastar a ideia de que colocar as pessoas no centro significa administrar apenas com base em percepções subjetivas. “Não dá para fazer gestão por intuição”, afirmou.

Para ela, resultados precisam ser acompanhados por indicadores e decisões devem considerar dados. Afinal, são as pessoas que produzem, mas é a gestão que precisa criar as condições para que esse trabalho gere resultados.

Ao final, Érica trouxe uma reflexão sobre saúde e produtividade: mais do que a quantidade de horas trabalhadas, o impacto sobre o profissional está relacionado à sua relação com aquilo que faz.

A palestra reforçou, assim, uma das principais discussões do Fórum: em um cenário de transformação das organizações, a Administração precisa conciliar pessoas, conhecimento, dados e resultados, mantendo o olhar humano sem perder de vista a responsabilidade pela performance.

A palestra integrou a programação do II Fórum Capixaba de Administração, que tem como tema “Administração na era da inteligência ampliada: pessoas, dados, decisão”.

Jornalista Márcia Menezes | Assessora de comunicação